7 de setembro de 2011

Habilidades do aluno Autista


O desafio maior não incluir e sim é quando o professor não se permite observar as habilidades de cada aluno. Apesar de todas as limitações que o nosso aluno Autista tem para aprender, nós professoras Marisete e Silvana tentamos o máximo trabalhar com os demais alunos coletivamente incluindo o aluno Willian em nossas atividades educativas.
Em umas das nossas aulas que trabalhamos o folclore, decidimos realizar uma atividade na qual objetivo foi salientar algo que o aluno autista faz com muito prazer... Por saber que aprecia rasgar papel tanto pelo som que faz e também quando rasga o papel a quantidade de volume se multiplica no final e também pelo fato de jogar alguns objetos ao longe e pelo perigo de usar tesoura com este aluno que optamos em fazer algo igual ao Willian, ou seja, nesta atividade não adaptamos o Willian aos demais alunos e sim os demais colegas se adaptaram para realizar esta atividade conforme as habilidades do Willian.
Propomos aos alunos a lenda do Saci Pererê, pois a mesma  permite explorar as características do personagem como o "preconceito racial", a inclusão das pessoas com deficiência "diferença física" questão da semelhança física com alguns alunos da sala e a questão das artimanhas que o Saci fazia segunda a lenda "artes e bagunças" e por fim o cachimbo destaca a questão do "tabagismo"...
Apresentamos a lenda narrada pela professora Marisete, sob a orientação da professora Silvana cantamos e dançamos a música samba de roda "Samba de uma perna só" de Aguinaldo Pereira.
Em um segundo momento a professora de atividades complementares Ericleia desenhou um Saci semelhante ao tamanho de um aluno de 11 anos no papel Kraft, para os alunos colarem os papeis rasgados que os mesmos rasgaram em grupos, destacamos neste momento uma das habilidades do aluno Willian, reunimos os alunos em equipes por cores para rasgarem.
O papel de cor verde: representa a grama ou o chão,
O papel de cor vermelho: representa o gorro do saci e short,
O papel de cor marron: representa a pele do saci,
O papel de cor branco: os olhos,
O papel de cor preto: representa o cachimbo do Saci.
Após rasgados os papeis cada equipe era convidada para colarem os papeis sobre o Kraft onde foi desenhado o Saci, aos poucos os alunos foram dando lhe cores e vida ao desenho. Assim todos colaram seus papeis inclusive o aluno Willian que além de colar os papeis gostou muito de jogar para o alto os papeis rasgados, por alguns momentos até as professoras participaram desta brincadeira. Deixamos secar e expomos o cartaz na nossa sala de aula.
As demais crianças da sala apreciaram muito esta atividade coletiva, os alunos Gabriel e Eduardo em determinado momento ressaltaram que nunca imaginavam que um dia eles iam fazer uma atividade igual ao Willian e que gostaram muito de não precisar usar tanto material para fazer este Saci.
A satisfação era contagiante  de todos os alunos e principalmente das professoras que em uma simples atividade educativa proporcionaram um momento de inclusão educacional.
Acreditamos que todo o ser humano tem condição de aprender algo e também de ensinar algo para quem quer que seja. Neste caso o nosso aluno autista, nos ensinou que podemos fazer um lindo cartaz sem usar muitas ferramentas escolares como tesoura, a régua etc...  Em conformidade com a autora Cora Coralina "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina."
Parabéns aos alunos do 2º ano 1 e principalmente ao aluno Willian que ensinou a usarmos e valorizarmos as ferramentas que Deus nos presenteou como dom da vida. São alguns simples momentos da inclusão de pessoas com deficiência de uma escola do ensino regular.
    
 

13 de julho de 2011

Breve pensamento pessoal sobre Educação Especial Inclusiva

A compreensão da Educação Especial, no contexto geral da Educação passa pelo entendimento histórico da pessoa com deficiência que necessita de atendimentos especiais que ao mesmo tempo possibilite uma real inclusão.
Indagações sobre a metodologia adequada para implantação da Educação Especial inclusiva, a pedagogia utilizada pelos professores, às dificuldades do aluno com deficiência no desenvolvimento e na sua aprendizagem. As barreiras arquitetônicas das instituições escolares e por fim a situação atual da Educação Especial no ensino regular e os meandros seguidos pelos responsáveis por sua concretização definem este processo social.
O processo de aprendizagem do sujeito inicia quando nasce e acompanhará por toda a vida. Durante este processo, vamos desenvolvendo habilidades como a audição, visão, fala, andar, ler e quase que simultaneamente escrever estas últimas são as mais difíceis das habilidades a serem desenvolvidas, porém não impossível de se aprender.
Nesta etapa de desenvolvimento o aluno precisa de muitos auxílios que devem vir dos pais, dos responsáveis, dos professores, da comunidade e de pessoas que perpassam pela vida de cada. Por isso faz-se necessário que todos adquiram consciência da necessidade de estarem bem preparados para auxiliar estes alunos com Síndrome de Down-SD[1], neste ato tão importante que é aprender a viver.
Processo este que por sua vez perpassa toda a vida cotidiana, principalmente nas séries iniciais. Ele significa muito mais que somente aprender a ler e escrever, é a possibilidade que o aluno com Síndrome de Down tem para aperfeiçoar sua socialização, desenvolvendo sua autonomia no meio em que convive, ou seja, adquirindo o seu direito de ser alfabetizado e letrado como os demais alunos.
O processo de alfabetização vai além dos fatores de decodificação e codificação de letras. É imprescindível que os alunos desenvolvam a leitura de mundo que, segundo Freire (1997, p. 68), possibilita a compreensão do mundo em sua volta. No entanto, para o processo de alfabetização ocorrer com sucesso é necessário o comprometimento dos professores, da família e de toda a comunidade escolar.
O aluno que ingressa em instituições educacionais trará muitas informações que podem ser aproveitadas pelo docente a fim de gerar novos conhecimentos. Isso só será possível se o professor estiver preparado para perceber as necessidades e características individuais dos educandos.
A premissa do ensinar e o aprender são processos interdependentes. Ocorrem a partir da relação entre o professor e o aluno, através de um olhar bidirecional onde possibilitará aos professores descobrir os problemas que ocorrem no processo de ensino e aprendizagem da alfabetização do aluno com Síndrome de Down.
Entretanto o tema norteador desse estudo busca desenvolver um conjunto de conhecimentos relevantes aos aspectos que interferem no processo de aprendizagem dos alunos com Síndrome de Down, tais como: o método adequado para alfabetizar esses alunos, o comprometimento dos professores na prática pedagógica reflexiva, o processo do Atendimento Educacional Especializado-AEE, o processo avaliativo, a responsabilidade da família e principalmente os recursos e materiais dispostos pela escola.


[1] Optou-se em utilizar nesta pesquisa as iniciais das palavras Síndrome de Down todas em maiúsculo.

6 de maio de 2011

Nossa tentativa de inclusão

A inclusão escolar de fato acontecerá, quando conscientizarmos que “o conhecimento partilhado em igualdade de condições, com todos, deve ser a motivação de nossa existência”...Segundo Mantoan a "Inclusão é o privilégio de conviver com as diferenças"
Para concretizar este ideal Boaventura ressalta que “o universalismo que queremos hoje é aquele que tenha como ponto em comum a dignidade humana. A partir daí, surgem muitas diferenças que devem ser respeitadas. Temos direito de ser diferentes quando a igualdade nos descaracteriza." Por isso que o sucesso é alcançado e conservado por aqueles que não deixam de tentar.
Esse com certeza é o grande desafio da inclusão educacional, ou seja, a grande ciência da vida é aprender a recomeçar. Recomeçar com confiança e entusiasmo de que podemos e devemos sempre tentar transformar as condições melhores para se viver nesse mundo. Por isso hoje eu digo e repito sem a tentativa não conseguimos nada, então amigos... Tentem somente hoje fazer a inclusão escolar na sua vida.



11 de abril de 2011

VISÃO HOLÍSTICA DA EDUCAÇÃO

A visão holística na educação despertará na criança, assim como no adulto, essa imensa força de sabedoria e de amor oculta no coração de cada um de nós. Neste sentido Cardoso (1995, p. 47) esclarece que: “abordagem holística da educação não pretende ser uma nova verdade que detenha a chave das respostas para os problemas da humanidade. Ela é uma abertura para o novo, para a realização do ser humano”.  A educação holística ao centrar-se no educando pretende proporcionar um ensino que leve à formação de pessoas conscientes de suas habilidades inatas, que sejam capazes de autodescobertas, questionando-se: Quem sou eu? O que posso ser um dia? Qual é a minha missão na vida? Fugindo da educação padronizada que classifica as pessoas para serem os vencedores ou os vencidos na vida.
Uma proposta holística tende a despertar e desenvolver tanto a razão quanto a intuição, sensação e o sentimento.
O que busca é uma harmonia entre essas funções psíquicas. Isso corresponde, no plano cerebral, a um equilíbrio entre os lados direito e esquerdo do cérebro, e a uma circulação harmoniosa de energia entre as camadas corticais e subcorticais e em todo o sistema    cérebro-espinhal (WEIL, 1990, p. 31).
A educação tradicional prioriza o aprendizado através de conteúdos programado, enquanto que os professores da educação holística estão sempre atentos a todos os acontecimentos da sala de aula, da sociedade, e da vida do aprendiz, para fazer destes acontecimentos oportunidade de aprendizagem, eles não ficam presos a conteúdos de um programa.
Segundo Weil (1990, p.31), “A educação tradicional tem uma tendência a condicionar as pessoas a viverem exclusivamente no mundo exterior, enquanto a proposta holística se orienta tanto para o exterior quanto para o interior”.Na educação tradicional a finalidade é formar o estudante para a competição agressiva, o sucesso e a especialização extrema, a aquisição de posse de fortuna. “A visão holística insiste sobre a simplicidade voluntária, a cooperação, os valores humanos, a formação geral precedendo a especialização, o dinheiro visto como um meio a serviço de valores fundamentais, e não como um fim em si mesmo”(WEIL, 1990, p.31).
Com o passar dos anos os métodos de ensino evoluíram, antigamente era comum os professores usavam a violência com alunos rotulados de rebeldes ou inaptos ao aprendizado como a palmatória, e ficar de joelho no milho, insultos humilhantes, práticas de constrangimento como usar o chapeuzinho de burro. Hoje estas práticas raramente acontecem, porque foram duramente criticados por teóricos, e psicólogos da educação. “Pouco a pouco, começou-se a questionar a idéia de que o professor fosse o possuidor absoluto do saber, cabendo ao aluno apenas absorver conhecimentos previamente estabelecidos” (WEIL, 1990, p.31). O diferencial da educação holística reside no fato de priorizar o diálogo e a proximidade entre educador e educando.
O dialogar e escutar, que supõe o respeito pelo saber do educando, permitindo a reflexão crítica da prática pedagógica.  Fatos históricos como estes mostram que é possível transformar a educação.  Que a educação holística não é uma utopia. “O novo paradigma substitui o conceito de aluno aquele que é ensinado, pelo de estudante que participa ativamente do processo, que assume e dirige a própria transformação” (WEIL, 1990, p.31). Possibilitando autonomia, cultivando a auto estima.
Hoje o professor não é mais aquele que detêm o conhecimento, não pode ser só um observasdor, tão pouco um mediador que ao mediar não interfere no processo. Segundo Weil (1990, p.31) “O professor se transforma em perito, em conselheiro. Ele orienta mais do que ensina, dá exemplos por meio de seu próprio comportamento, mostra que tem profundamente integrado nele mesmo os princípios que recomenda”. Sob o olhar atento do professor “na educação ativa ou nova, é o estudante quem trabalha, faz as pesquisas, as visitas, às observações sobre o terreno, os relatórios. Às vezes, é ele quem dá uma lição”(WEIL, 1990, p.31).
Há quem pense que esta forma de ensinar tira do educador a responsabilidade do aprendizado do educando, mas é justamente o contrário, esta práxis exige do educador constante atualização quanto aos interesses do educando.
O ser humano por vezes age de forma incoerente tomando atitudes completamente fora dos princípios e valores que prega. Para um professor que deseja transmitir a arte de viver em paz à outra pessoa é essencial que seja ele mesmo um exemplo de tudo que transmite. “A simples presença do mestre, pela irradiação de um conjunto de qualidades como afeição, doçura, paciência, abertura as necessidades mais profundas do outro, capacidade de se colocar no lugar daquele que sofre, dispensaria toda espécie de ensinamento” (WEIL, 1990, p. 39).
Nesta sociedade capitalista torna-se cada vez mais difícil encontrar pessoas com as características essenciais para um professor atuar na educação holística. Então a solução será formá-los. Encontrando pessoas que esteja disposta a trabalhar suas essências. “Que sejam suficientemente lúcidos e modestos para se mostrar como são. Que apresentam frequentemente comportamentos ligados aos grandes valores humanos, como a verdade, a beleza, e o amor altruísta” (WEIL, 1990, p. 39). Talvez uma das atitudes mais difíceis para a pessoa é se mostrar como realmente é, despida de sua máscara, com a qual se defende. 


Tudo este conteúdo postado é uma parte singular de uma estudo
  realizado pela minha querida colega Tere Goulart

O que você acha da inclusão de pessoas com deficiência na educação?